Bom, fiz um artigo de opinião sobre internação compulsória.
Como estou em ano de prestar vestibular e o assunto é atual e muito discutido, achei importante escrever sobre ele.
“Coloque-se
no lugar do outro”
Antônio, 43 anos, solteiro, veio do Ceará para
São Paulo aos 21 anos, mora com sua irmã, tem seu emprego de serviços gerais
durante o dia e nas noites se perde nas ruas em busca de crack.
Sou professor universitário daqui do estado de
são Paulo, e em um debate sobre o tema “internação forçada de usuários de
droga” decidi escrever esse artigo de opiniãopara mostrar minha posição .
Fui à Cracolândia acompanhar com meus próprios olhos a vida desses usuários, quando conheci seu Antônio que me contou sua história deixando bastante claro
que já chegou a parar de usar crack, porém não aguentou e recaiu.
No Brasil, a lei
prevê três tipos de internação: voluntária, involuntária ( em caso do paciente
não tiver condições de decidir por si ele é internado por determinação do
médico e familiares) e compulsória, ou seja, por decisão judicial. Segundo o
desembargador Antônio Carlos Malheiros, do Tribunal de Justiça, os usuários
serão levados ao local com o intuito de passar por uma análise médica, e se for
necessária a internação e o dependente se recusar os promotores pedirão a
decisão do juiz.
Sempre cresci
ouvindo minha mãe dizer: “ Coloque-se no lugar do outro.” E nesse momento tento
me coloco como um dependente químico e chego a conclusão de que ninguém está
nas drogas porque gosta e sim porque se sente, de alguma forma, carente de
assistência , de uma vida digna que o Estado não oferece o suficiente. Dessa
forma a pessoa encontra refúgio onde? No crack.
Seu Antônio disse
que já foi internado durante 3 meses numa clínica de recuperação evangélica
isolada da cidade, o que não é nada bom, pois além do dependente ser levado
para longe da sociedade, ele se instala
nessas instituições ouvindo que “Deus realizará a obra” sem o remédio, e quando
se vê no desespero novamente sem forças pra enfrentar sozinho o vício ele foge,
como aconteceu com Marcos, outro
usuário, de 32 anos, que conheci há uns 4 anos atrás.
Portanto caros
leitores, a minha proposta de solução é reivindicar uma ação do governo nesses
pontos, oferecendo às vítimas do crack moradias assistidas juntamente com a
sociedade em que eles vivem e não isolá-los como “bicho do mato” ou até mesmo
construindo clínicas de recuperação que garantam a laicidade do processo, para que assim se possa combater
cada vez mais o uso crack no Brasil.