segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Internação compulsória

Bom, fiz um artigo de opinião sobre internação compulsória.
Como estou em ano de prestar vestibular e o assunto é atual e muito discutido, achei importante escrever sobre ele.

“Coloque-se no lugar do outro”

Antônio, 43 anos, solteiro, veio do Ceará para São Paulo aos 21 anos, mora com sua irmã, tem seu emprego de serviços gerais durante o dia e nas noites se perde nas ruas em busca de crack.
Sou professor universitário daqui do estado de são Paulo, e em um debate sobre o tema “internação forçada de usuários de droga” decidi escrever esse artigo de opiniãopara mostrar minha posição .
 Fui à Cracolândia acompanhar com meus próprios olhos a vida desses usuários, quando conheci seu Antônio que me contou sua história deixando bastante claro que já chegou a parar de usar crack, porém não aguentou e recaiu.
                No Brasil, a lei prevê três tipos de internação: voluntária, involuntária ( em caso do paciente não tiver condições de decidir por si ele é internado por determinação do médico e familiares) e compulsória, ou seja, por decisão judicial. Segundo o desembargador Antônio Carlos Malheiros, do Tribunal de Justiça, os usuários serão levados ao local com o intuito de passar por uma análise médica, e se for necessária a internação e o dependente se recusar os promotores pedirão a decisão do juiz.
                Sempre cresci ouvindo minha mãe dizer: “ Coloque-se no lugar do outro.” E nesse momento tento me coloco como um dependente químico e chego a conclusão de que ninguém está nas drogas porque gosta e sim porque se sente, de alguma forma, carente de assistência , de uma vida digna que o Estado não oferece o suficiente. Dessa forma a pessoa encontra refúgio onde? No crack.
                Seu Antônio disse que já foi internado durante 3 meses numa clínica de recuperação evangélica isolada da cidade, o que não é nada bom, pois além do dependente ser levado para longe da sociedade,  ele se instala nessas instituições ouvindo que “Deus realizará a obra” sem o remédio, e quando se vê no desespero novamente sem forças pra enfrentar sozinho o vício ele foge, como aconteceu com Marcos,  outro usuário, de 32 anos, que conheci há uns 4 anos atrás.

                Portanto caros leitores, a minha proposta de solução é reivindicar uma ação do governo nesses pontos, oferecendo às vítimas do crack moradias assistidas juntamente com a sociedade em que eles vivem e não isolá-los como “bicho do mato” ou até mesmo construindo clínicas de recuperação que garantam a laicidade  do processo, para que assim se possa combater cada vez mais o uso crack no Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário